O início de uma carta que jamais será entregue… Eu te amei desde principio, mas não sabia disso, eu te nomeei como anjo desde o principio para me cuidar e proteger sem que eu ao menos percebesse, fiz e desfiz de todos os preceitos da arte de amar, errei e pequei como mortal, perdoei como romancista que acredita em finais felizes sem ao menos querer acreditar que final existiria. Joguei-me em um sentir pensando que tudo dependesse apenas de mim, que o para sempre dos contos e histórias não eram apenas palavras entre as linhas do papel, eu comparei o eterno do amar a imensidão do céu, do universo, eu acreditei de fato que o amor resistiria a eras glaciais e dilúvios assim como o planeta, fui tola, fui amada sim, mas de forma errada, se é que amor tem forma certa de se sentir, sei apenas que amei e amei demais, e continuo amando sem ao menos entender o quanto mede ou pesa esse sentimento. Não sei brecar, dar macha ré, parar, eu só sei continuar, e querer, acreditar mesmo que no fundo eu realmente saiba que não passou de ilusão e que foi apenas história inventada da minha mente sonhadora e tão precipitada.
Pulei etapas do aprendizado para me matricular na escola do amor, quando pude perceber já era tarde, não houve como escapar… Afinal os ensinamentos foram árduos e no final não restou nada a não ser as cicatrizes acumuladas e essa porção de perguntas sem respostas. Restaram-me também palavras sem sentindo, que monto enquanto minha mente trabalha recordando um passado que não sabe passar. Dizem que amor é abstrato, que não se pode tocar, é invisível aos olhos, então posso dizer que meu amor foi diferente, não deixando de ser e de amar. Você não era abstrato, muito pelo contrario, cada detalhe teu era exato e legível para mim. Transformei-te de pessoa para sentimento, pude te sentir, te tocar, te ter como se fosse meu, como se fossemos um só, como se dois pudessem ser apenas um, como se não houvesse amanhã, como se o para sempre realmente existisse, como se promessas sempre fossem se tornar fatos, como então amor não pode ser tocado se eu lhe toquei? Como amor pode ser invisível se eu o via quando repentinamente virava seu rosto em minha direção e eu me encontrava mergulhada dentro dos teus olhos, como se o brilho que irradiava sobre minha face vindo deles fosse um mar de paixão, uma estrela imortal, como se a frase “eu te amo” acompanhada desses pequenos momentos soassem como serenata para mim. Eu vi o amor dentro dos seus olhos, eu o eternizei dentro de mim, será que foi hipnose? Não, aquele brilho não podia ser de mentira ou um simples ato de magia, mesmo que fosse de fato uma magia total.
Só sei que o tempo passou, e entre tantas lágrimas e mentiras, existiram momentos que hoje ainda são lembrados e que ficaram cravados na mente como uma eterna nostalgia, de um tempo que não volta mais. Você foi e ainda é o meu bem e meu mal, não sendo mais meu, se é que um dia realmente me pertenceu… Quer dizer, ninguém pertence a ninguém, apenas existem sentimentos que depositamos demais e às vezes em pessoas erradas, horas e momentos inoportunos, cometemos assim, meros mortais românticos inúmeros erros e pecados irreversíveis. Houveram temporais, dias nublados, tardes brilhantes de céu rosado, houveram beijos na chuva, promessas quebradas diante de um sol escaldante, noites estreladas, mãos entrelaçadas enquanto a única luz vinha das labaredas, houveram, houveram… Se foi, o encanto se perdeu mas não sei ao certo se foi nos beijos que deixamos de dar, se foi na falta de tempo entre o trabalho e a faculdade, se foi entre os ódios repentinos, as crises de ciúmes, se foram nos nossos lábios que encontraram outrem ou se foram nas mentiras, nas ausências, nas trocas, só sei que se perdeu, o encanto se foi e o amor não quis pegar carona, quis permanecer e eu não sei ao certo como expulsa-lo sem que ele se fira mais.
Os dias sem você… São frios mesmo quando ensolarados, são iluminados mas tem brilho ofusco, o bom é que estou aprendo a viver um dia de cada vez sem esperar tanto de mim ou do tal futuro, não aprendi a brecar mas aprendi a ir mais lentamente, respeitando meus limites, apesar de que quando te avisto quero correr, me jogar em seus braços, lhe afogar com meus beijos e apenas parecer àquela criança boba e mimada ansiosa por teus cuidados. Depois que você se foi minha mente e coração estão em conflitos, admito que a cabeça já esteve no controle de tudo, nem que fosse por alguns dias, mas ela sempre cede a falta que tu faz aqui do lado esquerdo, onde o coração bate descompassado, as vezes leve, bate para viver e por te amar. Eu não sei ao certo o que vi em você, afinal, você é o contrario de tudo que um dia eu desejei para mim e para meus planos infantis de família feliz, você deve ter montado bem a armadilha e eu cai, não sei me livrar, talvez porque na verdade não queira me livrar, não consigo me adaptar ao fato de que alguém possa um dia ocupar o lugar que já foi meu, no lado esquerdo do seu peito, ao lado direito da sua cama, em meio as suas mãos suadas de nervosismo, perdida nos milhares de beijos que já foram meus, eu não consigo me acostumar com essa ideia, sinto náuseas só de pensar nem que seja por relapsos de segundos. Eu sei bem que sua vida sem mim parece estar melhor, mas sei também que seus problemas financeiros e no trabalho ainda são os mesmo, sei que você se sente em paz e livre ao lado dos seus amigos mas não posso acreditar que minha face não lhe perturbe em pensamentos nem que seja por um milésimo de segundo durante o dia, nem que seja enquanto você procura as fotografias das festas para mostrar e se gabar para alguém e ache uma fotografia nossa perdida em meio às tantas outras que não tem mais a sua “amada” como protagonista. Sabe… Eu parei de me iludir mesmo ainda tendo restos de esperança, me tornei um pouco mais amarga, mas foi para meu próprio bem, meu coração esta em reforma e você ainda está lá dentro como se fosse o que manda e desmanda, eu não consigo entender, seus efeitos continuam por aqui. Eu te mandei embora querendo que você ficasse, eu quis sumir mesmo te ligando tantas vezes, eu quis chorar mesmo sorrindo na sua frente, eu quis te amar mesmo não devendo, eu quis, eu quero, eu não devo.
Vou continuar assim, te tendo perto e ao mesmo tempo longe, até o dia que eu tenha coragem suficiente de lhe ver distante o bastante do alcance de minhas mãos, já que do coração você de alguma maneira já está cada vez mais longe. Sinto você me esquecendo aos poucos, eu não faço mais parte dos seus planos, e confesso, você também não faz mais parte dos meus, mas nós dois sabemos que poderia ter sido diferente, não dependia apenas de mim ou de você, e sim de ambos… Não foi assim. Quem sabe o que o destino reserva para nossos caminhos, hoje eles são distintos apesar de ainda nos avistarmos, mas daqui um tempo a distancia irá nos afastar mais e mais, e só restarão de fato as lembranças… Guarde por favor, apenas o que foi bom de nós dois, enquanto eu daqui vou tentar não lamentar a sua ausência, tentarei não sentir ódio por você estar seguindo bem sua vida sem mim, e não me culpar por não ter sido a escolhida por seu coração. A verdade é que nunca ninguém irá ocupar seu espaço, mesmo que eu queira é involuntário, coração só sabe te amar, mesmo que eu tente é em vão eu não irei lhe esquecer, mesmo que eu queira será em vão, pois eu só sei te amar e amor existe apenas um por toda a vida. Pode haver outros, outras bocas, outros corpos, pode ser que daqui algum tempo eu encontre alguém com promessas e cuidados melhores que os seus, pode ser que eu me case com outra pessoa que não seja você com seu sorriso torto e piadas patéticas e infantis, tenha filhos que não sejam com teu sobrenome, mas no ultimo dia de minha vida, o meu ultimo pensamento antes de fechar os olhos ainda vai ser você, olhando para mim em lembranças e dizendo “eu te amo”.
Andressa Andrew (prosa-e-verso)